Puff, amigo de Pina e de todos nós

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É o livro preferido de Manuel António Pina e um dos nossos também. Puff foi escrito pelo britânico A. A. Milne no início do século XX e publicado pela primeira vez em 1926. Pina disse numa intervenção na Culturgest, integrada no ciclo de conferências “Clássicos do Século XX”, que “o caracter chinês P’u (que se pronuncia quase como Pooh) representa, no conjunto dos signos que o compõem, qualquer coisa como “árvore não cortada”, isto é, no seu estado natural, e que P’u é um dos princípios centrais do taoismo, traduzido no Ocidente como o Princípio do Bloco Intacto, significando “natural, simples, espontâneo” ou, como Pooh talvez dissesse, que as coisas (e, no caso, eu próprio e o que eu penso ou não penso sobre “Winnie-the-Pooh”), são assim mesmo e há pouco a fazer quanto a isso”.

Puff é uma homenagem à amizade, à natureza, à simplicidade, à inocência, à grandeza da infância.

“Winnie the Pooh é um dos mais persistentes ruídos de fundo da minha relação com as coisas e com a literatura, para não falar da minha relação comigo mesmo. Pooh e o seu olhar desprendidamente curioso intrometem-se, eu é que sei!, constantemente na minha vida. Principalmente em certas respostas que a minha vida me vai dando, onde me parece escutar a silenciosa voz da feliz e amável sabedoria de um Urso Com Muito Pouco Miolo, que talvez seja afinal, quem sabe?, a voz elementar da própria existência, pois que, convocando agora Alberto Caeiro, talvez haja metafísica bastante em não haver metafísica nenhuma.” (Pina)

Este é um livro maravilhoso que ensina as crianças a serem crianças e os adultos a recordarem todas as crianças que foram.

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“Puff, quando acordas de manhã”, disse finalmente Porquito, “qual é a primeira coisa que tu dizes para ti mesmo?”
“O que há para o pequeno-almoço?”, disse Puff. “E tu, que dizes, Porquito?”
“Eu digo: que coisa excitante irá acontecer hoje?”, disse Porquito.
Puff acenou com a cabeça, pensativo. “É a mesma coisa”, disse ele.

“O Coelho é inteligente”, disse Puff pensativamente.
“Sim, o Coelho é inteligente”, disse Porquito.
“ E tem miolos.”
“Sim, o Coelho tem miolos”, disse Porquito.
Fez-se um longo silêncio.
“Acho que é por isso que ele nunca percebe nada”, disse Puff.

“E temos que levar Provisões” , disse Cristóvão Robin. “Levar o quê?”
“Coisas para comer.”
“Ah, disse Puff, muito satisfeito, “pensava que tinhas dito Provisões.”

“Puff, disse Cristóvão Robin, “aonde é que encontraste esse
polo?”
Puff olhou para o pau que tinha nas mãos.
“Encontrei-o para aí”, disse ele. “Achei que era capaz de ser útil. Apanhei-o do chão.”
“Puff”, disse Cristóvão Robin solenemente, “a Expotição está
terminada. Encontraste o Pólo Norte!”
“Oh!”, dise Puff.

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