Uma mulher regressa de nadar num lago e encontra, no jornal, fotografias de refugiados. Sócrates escreve da prisão e pede que não deixem Platão visitá-lo. Uma reflexão sobre palavras antigas abre-se à recordação da morte da mãe.
Em A Norma Errada, Anne Carson acompanha estes encontros imprevistos entre aquilo que lemos, aquilo que vivemos e aquilo que mal conseguimos compreender. Joseph Conrad e Flaubert convivem com notícias de guerra, recordações familiares e pequenos desastres quotidianos. Um jantar demasiado ruidoso pode revelar a solidão de quem procura companhia; uma palavra aparentemente simples pode conter uma história de violência.
Poemas em prosa, narrativas, ensaios e imagens criadas pela autora dão forma a um livro em que o pensamento muda de direcção, hesita e regressa aos lugares onde alguma coisa ficou por dizer. A erudição convive com o absurdo e com a atenção a um gesto, a uma frase ou a uma paisagem. Carson escreve sobre a memória, a liberdade e a perda, conservando o humor mesmo quando se aproxima do que mais dói.
Desenhos, colagens e intervenções sobre a página prolongam esta experiência de leitura, tornando visível o trabalho de uma imaginação que continua a experimentar.