A afirmação central de Como uma Raça foi Imaginada é a de que, ao contrário do que a cronologia sugere, a religião judaica progenitora do cristianismo foi em larga medida moldada pela cristandade em cujo seio se desenvolveu. Nos primeiros séculos da nossa era, as duas religiões competiram no sentido de se reforçar, crescer, fundamentalmente do mesmo modo, i.e. convertendo novos fiéis. A corrida terminou com a vitória cristã, ao obter o favor do poder romano, que prontamente proibirá o proselitismo judaico. A ideia de que a diferença entre os dois grupos extravasa o âmbito religioso, de que os judeus constituem um «povo» distinto, é formulada no séc. V por teólogos como João Crisóstomo e Santo Agostinho. É a partir daqui que se desenvolve o mito do «povo do exílio», de uma «raça à parte», dos judeus como estrangeiros, como «semitas».
Como Uma Raça Foi Imaginada
Shlomo Sand
17.00€