Falemos da mulher com a cabeça mergulhada nas águas. A mulher a rodear-se de corais, o luminoso afogamento das correntes. A mulher com uma estrela ou uma âncora nos pés.
À superfície é um cardume a enlouquecer-se de robalos: duas pernas, duas coxas, dois aquáticos pulmões que não sustentam o arcabouço do mundo, a espessura do problema, a violentíssima estrutura da Obra.
Libertar-se das placentas equivale a nascer. E que pesada equivalência, e que terrível o exercício de quem nada para fora dos aquários da morte, e chega à margem com um sopro, uma expressão parturiente, assim exposto à ingenuidade de criança submersa, feto afeito à uterina florescência dos rios.
Levanta-me das águas profundas
Luiza Nilo Nunes
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