Rua de Fernandes Costa, 88
4100-240 Porto

11h00 — 19h00
Terça-feira a Sábado

Flâneur

Manobra Portuária
de Paulo da Costa Domingos

17.00€

Rocha sem fòrma ou sombra,
procuro alguma perfeição
por mão artífice. Por outro lado,


ardo, um braço, uma tocha
com a ferocidade, a malícia cruel
de uma infância outra.


Escurece. Rostos dissolvem-se, negros,
observados a fògos-fátuos, vigilantes:
um sistema construído


para mútua espionagem e juízo.
Um sistema de absorção da coragem:
dor, suas causa e conseqüência.


¿Quem tem a chave da concha vazia
do dia-a-dia… onde se acolitam
conseguimentos por conta d’ outrem?


Frustrante. Apenas um esbôço
de movimento para diante
visto nos diferentes ângulos.


Mas uma ideia deve escrever-se
vezes sem conta, no caminho
d’ alguma moratória certeza.


Hesito, solitário de novo
no perigo da escrita
pelo campo das imagens


convencionais, à procura
do encontro e da superação
em sua honra: depauperando-me.


Campo do silêncio e da chama
ateáveis. ¿Quem tem a chave
de um longo e duro olhar?

  • Autor
    de Paulo da Costa Domingos
  • Editora
    Barco Bêbado
  • Género
    Literatura, Poesia
  • N. de Páginas
    46
  • Idioma
    Português