Helena nunca esteve em Tróia. No seu lugar, os deuses enviaram uma nuvem com a sua aparência. A mulher verdadeira está em Los Angeles, fechada numa suite do Chateau Marmont, a decorar as falas de um filme de Fritz Lang. Chama-se Norma Jeane Baker.
Partindo da Helena de Eurípides, Anne Carson aproxima duas mulheres separadas por milénios: Helena de Tróia e Marilyn Monroe. Arthur é rei de Esparta e de Nova Iorque, Truman Capote empresta a voz ao coro e a guerra tem produtores, contratos e campanhas de publicidade. Enquanto os homens disputam a sua imagem, Norma Jeane preocupa-se com a filha, procura uma saída e tricota a queda de Tróia.
Entre o poema e o teatro, as cenas alternam com breves lições sobre palavras gregas, nas quais a história da linguagem revela a persistência da violência. O humor atravessa os momentos mais sombrios; a intimidade de uma voz interrompe o espectáculo. Nesta recriação de Eurípides, Carson interroga a beleza transformada em mercadoria e o destino de uma mulher cuja vida parece pertencer a todos.