Rua de Fernandes Costa, 88
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11h00 — 19h00
Terça-feira a Sábado

Flâneur

O Eremita Viajante
Matsuo Bashô

22.00€

O poema haiku não inferioriza nem zomba, não se serve do intelecto, valoriza as coisas pequenas, valendo-se da surpresa e de um reduzido vocabulário, começa ainda antes da primeira letra da primeira estrofe e acaba muito depois da última sílaba da terceira estrofe. É poesia despersonalizada, já quase fora da linguagem comum, nasce no silêncio, atravessa, como um relâmpago, o olhar do contemplador e regressa ao silêncio; e enquanto existiu pareceu durar o tempo de um movimento respiratório. Resultante em grande parte da contemplação da beleza e comportamentos da natureza, este estilo poético assume-se como fenómeno que transcende o pessoal, é puro presente, é um momento suspenso, eterno em si mas que não volta a acontecer. Nele, desaparece a separação observador/observado, para dar lugar à ausência de ego, à manifestação do sublime. No final da breve leitura do poema, o leitor arrisca-se a ser percorrido por um calafrio que não poupará nenhuma célula do seu corpo; talvez o seu olhar se semicerre e se suspenda no seio de um horizonte para além do horizonte visível; talvez assome ao canto dos seus lábios o movimento de um sorriso somente percetível pelo olhar puro das crianças e dos animais.


imóvel contemplo a lua
e os outros pensam
que sou cego

  • Autor
    Matsuo Bashô
  • Editora
    Assírio & Alvim
  • Género
    Literatura, Poesia
  • ISBN
    978-972-37-1920-8
  • Edição/Reimpressão
    Setembro de 2016
  • Tradução
    Joaquim M. Palma
  • N. de Páginas
    424
  • Idioma
    Português
  • Etiquetas
    Japão