Os personagens que atravessam este livro são errantes convictos, marcados pelo excesso e pela simulação. Vivem entre o desejo e o impulso, mas ainda têm aspirações profundas e emitem sinais de uma espiritualidade abandonada.
Um grupo de amigos presos num bar que se afunda. Um melancólico dividido entre o amor e um sentimento de rivalidade. Dois amantes decididos a perder todo o pudor. Um fabulador de meia-idade seduzido por uma mulher mais jovem que o ignora. Um casal que escapa a um atentado, mas não à ausência de informação. Uma mulher que revela a sua intimidade a um estranho e que o confronta com a natureza da vida e da arte. Um jornalista bloqueado. Um escritor fracassado apaixonado por uma prostituta virtual. Um poeta sem amor-próprio. Um par de fetichistas sofisticados. Um artista plástico que sofre um surto psicótico em pleno processo de enamoramento.
São figuras dispersas, mas unidas pela mesma busca cega de sentido e realidade. A devoção que os move também os trai. Ainda assim, cada um guarda, à sua maneira, uma réstia de esperança, um sentido de penitência, uma noção de ritual – e uma forma secreta de celebração.