O Senhor Teste, tal como a poesia de Valéry, é forma, jogo de espelhos, linguagem velada na sua aparente nudez. Enquanto tal, dispensa carne, ossos, veias, emoções, paixões, dispensa até a vontade, é coisa mental refletindo-se a si mesma. Num belíssimo ensaio intitulado De Poe a Valéry, T. S. Eliot colocou bem a questão, ainda que centrando-a no contexto de uma análise acerca do interesse de alguns poetas franceses pela poesia de Poe. Diz-nos o autor de Four Quartets que mais do que o homem ou a poesia ela mesma, enquanto expressão das emoções experimentadas pelo homem, é a teoria da poesia aquilo que mais prende Valéry. E acrescenta: «À extrema autoconsciência de Valéry deve somar-se outro traço: o seu extremo ceticismo». Autoconsciência e ceticismo parecem ser as palavras-chave para um enquadramento de O Senhor Teste.
O Senhor Teste
Paul Valéry
16.00€