Azul & Vermelho

12.00 

de Adriana Crespo,

Formato 130 x 185 mm
68 páginas
Arranjo gráfico de Luiz Pires dos Reys
Edições Sem Nome

Descrição

Pedra sobre pedra. Passo sobre passo. Sonho sobre sonho. Como extrair tantas camadas, limpar tantos estratos e tantos pequenos eus acumulados? Como chegar a essa verdade, à verdade total que nos habita?

O inconsciente é como uma central nuclear. Temos de entrar armados — e arriscamos a vida. O pensamento estoira como um infinito. E o que se pode sentir do que há para sentir é sempre como uma franja, uma franja tremenda a partir da qual todo o corpo se desagrega — e que nos faz fugir a alma pelos cabelos ou pelas pontas obscuras dos pés. Onde iremos nós arranjar a visão, a lucidez, as forças e a liberdade com que olhar exactamente nas coisas e em nós o que nelas e em nós haja de exacto ou rigoroso?

Morremos nós e ficam as coisas. — repetia Maria do Mar. — Um dia, nem sequer as coisas. Ruem os tectos. Partem-se os pratos. Até para a árvore que vive cinco mil anos a morte há-de chegar. E virá o dia em que o último descendente de cada espécie sucumbirá. Não sobrará ninguém para ler os livros de ninguém, nem haverá ouvidos para as Cantatas de Bach. E nem o planeta girará eternamente em torno do sol, nem as estrelas serão sempre as mesmas no mesmo céu. Nada é fixo. Nada ficará.

António Pizarro

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