Os livros do Arnaldo


Muitas vezes divertidos, às vezes melancólicos, mas sempre profundos e íntimos, os fragmentos que compõem estas Prosas Apátridas permitem-nos aceder ao universo de um narrador maravilhoso. O leitor tem nas suas mãos o testemunho espiritual de um dos grandes autores hispânicos do século XX. CRÍTICAS DE IMPRENSA «Às vezes áspero e agreste, outras vezes de uma delicadeza que arrepia e comove, o estilo de Ribeyro faz lembrar um instrumento de precisão. Nem uma palavra a mais, nem uma palavra a menos. Só as estritamente necessárias [“Prosas Apátridas” é um] espantoso “catálogo de enigmas” que, depois de lido, nunca mais nos abandona.» José Mário Silva, Expresso

Que nome dar a estes pequenos textos “que não se ajustam cabalmente a nenhum género, pois não são poemas em prosa, nem páginas de um diário íntimo, nem anotações destinadas a um posterior desenvolvimento”? Julio Ramón Ribeyro decidiu apelidá-las de Prosas Apátridas, “pois carecem de um território literário próprio”. Estas duas centenas de textos – que exploram temas tão diversos como a literatura, a memória e o esquecimento, e também a velhice e a infância ou o amor e o sexo – revelam um escritor curioso e de olhar acutilante, cuja ironia subtil capta a realidade do Homem moderno em toda a sua profundidade. Muitas vezes divertidos, às vezes melancólicos, mas sempre profundos e íntimos, os fragmentos que compõem estas Prosas Apátridas permitem-nos aceder ao universo de um narrador maravilhoso. O leitor tem nas suas mãos o testemunho espiritual de um dos grandes autores hispânicos do século XX.


Como se Desenha uma Casa é o último livro de poemas inéditos de Manuel António Pina, galardoado com o Prémio Camões 2011.
A este livro foi atribuído, já a título póstumo, o Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes.

O regresso

«Como quem, vindo de países distantes fora de / si, chega finalmente aonde sempre esteve / e encontra tudo no seu lugar, / o passado no passado, o presente no presente, / assim chega o viajante à tardia idade / em que se confundem ele e o caminho. / Entra então pela primeira vez na sua casa / e deita-se pela primeira vez na sua cama. / Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças, / cidades, estações do ano. / E come agora por fim um pão primeiro / sem o sabor de palavras estrangeiras na boca.»


Paisagens da China e do JapãoPaisagens da China e do Japão é o terceiro livro de Wenceslau de Moraes. Escrito quando Wenceslau de Moraes já vivia no Japão, a obra junta contos e crónicas literárias inspiradas na realidade chinesa e japonesa do final do século XIX e início do XX. Resultado de uma observação muito atenta dos hábitos mas também da cultura tradicional dos dois países, Paisagens da China e do Japão foi pela primeira vez publicado em livro em Portugal no ano de 1906. Uma edição que, contudo, não agradou ao autor e que terá levado mais de quatro anos até estar finalizada. Novamente editado em 1938 numa segunda edição póstuma, este livro, nos últimos 76 anos, apenas foi publicado em Macau no ano 2007. A presente reedição pela Livros de Bordo quis recuperar esta obra de Wenceslau de Moraes, seguindo a versão da segunda edição e mantendo o mais possível o formato de letra original, assim como a disposição dos textos e das gravuras.


Nos poemas de Billy Collins escreve-se muitas vezes de dentro do pólo fantástico, do sonho, da assombração (“eu sou esse cão que tu puseste a dormir,/ e volto”). O atrito que irrompe no curso banal dos dias, introduzindo uma estranheza, leva o leitor a ter de reler o poema. E isto é alicerce improvável do que escreve. O poeta faz da atenção em potência, conectada com um traço intensivo, um acto, isto é, o motor de um poema. E cada poema é um todo, um único, um átomo. Provém daquilo que, segregado da experiência dos dias, de um dia, se singularizou. A própria memória, diz-se, volta a reboque do acidental. Este é o dom de certas coisas. Que chamam, que desdobram a imaginação, e ela acompanha intencionalmente um trajecto, vela, e num jacto laborioso encadeia em escrita, não denegando a origem. Pelo contrário, acentuando a efemeridade e o movimento, abusando do gerúndio. Localizando o aqui e o agora, o de súbito, numa cidade ou pela paisagem em curso. Anotar de memória os pensamentos, olhar proustianamente as coisas, sempre do ponto de vista da eternidade.


História mágica ou filosófica, romance histórico ou de formação, narrativa sobre o tempo ou viagem interior de um jovem alemão honrado e ávido de experiências, este romance envolve e enreda o leitor em teias mágicas que não mais o libertarão, entre a sátira e a seriedade, o humor e a ironia, a luz e o niilismo, numa sinfonia contra-pontística em que liberalismo e conservadorismo, decadência e sublimação, doença e saúde, espírito e natureza, morte e vida, honra e volúpia se sucedem num torvelinho que só a Primeira Guerra Mundial conseguirá dissipar. Quando as fundações da Terra e da montanha mágica começam a tremer, quando o mundo hermético feito de tédio, torpor e exasperação começa a abalar, por acção do trovão e do enxofre, das baionetas e dos canhões, é que o arganaz adormecido esfrega os olhos e começa a endireitar-se, saindo da sua tenaz hibernação, expulso do seu reino e dos seus sonhos, salvo e liberto, depois de quebrado tão longo e mágico encanto.


Giovanni Drogo, recém-nomeado nomeado oficial, aproxima-se do seu destino, a fortaleza Bastiani, com um indefinível pressentimento de que algo na sua vida o conduz a uma total solidão. A fortaleza, enorme, amarela, situada nos limites do deserto, outrora reino dos míticos Tártaros, acolhe-o na sua misteriosa imponência. Dentro desta, o tenente Drogo é contaminado pelo clima heróico de avidez de glória que parece petrificar, numa espera perene, oficiais e soldados. Aguardando todos o dia em que os inimigos virão do Norte…


Misteriosamente Feliz

Poeta e arquitecto, Joan Margarit é uma figura culta, íntima e cosmopolita no que convoca, desprendendo do singular uma ressonância universal, uma reverberação que deixa cada semente modesta a vibrar longamente dentro do leitor; é um fazedor de frátrias, e aí reside a sua maior diferença face ao quotidiano sem mundo dos demais. De resto, é ele o tradutor da sua própria poesia (ou, melhor, o conversor da sua própria poesia, posto que habita duas línguas suas: o castelhano e o catalão). Nela, há diversos dados autobiográficos (pessoais, geracionais, políticos) que podem reconhecer-se com facilidade: teve quatro filhos, três raparigas e um rapaz, mas morreram dois (Anna pouco depois de ter nascido, em 1967; Joana, que sofria de uma doença genética rara e de origem desconhecida, o Síndrome de Rubinstein-Taybi, com um cancro, aos 30 anos). Também por isso, a morte está presente sob cada passo.


Autobiografia

É certo que os cinco livros da Autobiografia [A Causa (1975), A Cave (1976), A Respiração (1978), O Frio (1981) e Uma Criança (1982)] servem a Bernhard para dar a conhecer o que foi a sua infância e a sua juventude, mas sempre na medida em que esses períodos da sua vida e os acontecimentos por ele narrados foram relevantes para a sua obra literária. O escritor enfatiza os momentos que o marcaram para o resto da existência, faz notar os seus problemas, os seus erros, as fraquezas e os aspectos contraditórios do seu carácter, mas também as suas grandes decisões, a sua independência, a sua força de vontade, a sua natureza insubmissa e inconformada, mesmo na luta pela própria vida. […] Ficção e biografia interpenetram-se em Bernhard de uma forma nem sempre clara, porque ambas participam igualmente da sua escrita enquanto obra de arte e ambas se completam e explicam reciprocamente. […] Na verdade, esse período da infância e juventude—e a ele se limita a Autobiografia—influencia decisivamente a personalidade do escritor, modela o seu carácter e de certo modo constrói as bases da sua carreira literária. Pode-se mesmo dizer que, sem conhecer as suas origens, as circunstâncias em que se verificou o seu nascimento, o que ele foi em criança e as provações por que passou na adolescência, não será fácil compreender devidamente a sua obra.


Os Irmãos Karamazov 1º e 2º partes

O último grande romance de Dostoiévski (1879-1880), terminado pouco tempo antes da sua morte, em São Petersburgo (1881) vem, juntamente com as obras «Crime e Castigo» (1886), «O Idiota» (1868) e «Os Possessos» (1871-72), provar que a fase final da sua vida foi, sem dúvida, a mais produtiva. «Os Irmãos Karamázov» é uma das mais geniais criações literárias de todos os tempos. Analista rigoroso do comportamento humano, Dostoiévski traz à tona o próprio sentimento de culpa pelo assassínio do pai. O autor debate de uma forma sublime as infindáveis dicotomias da natureza humana, revelando uma inquietação que é já a do homem moderno.


As Benevolentes é uma epopeia de um ser arrastado pelo seu próprio percurso e pela História. As Benevolentes são as memórias de Maximilien Aue, um ex-oficial nazi, alemão de origens francesas que participa em momentos sombrios da recente história mundial: a execução dos judeus, as batalhas na frente de Estalinegrado, a organização dos campos de concentração, até a derrocada final da Alemanha. Uma confissão sem arrependimento das desumanidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, que provoca uma reflexão original e desafiadora das razões que levam o homem a cometer o mal. Este romance vai buscar o título à mitologia grega - as Erínias, deusas perseguidoras, vingadoras e secretas, também conhecidas por Eumênides ou Benevolentes. CRÍTICAS DE IMPRENSA «(...) este não é um livro de análise histórica sobre o nazismo, e sim um romance - um épico monumental, diga-se - que reflecte sobre o papel do carrasco, a sua relação com as ordens dadas e o modo como as aceita.» Sara Figueiredo da Costa «Um livro sobre o século XX e sobre o mal absoluto.» Alexandra Lucas Coelho, Público «Uma obra de ficção monumental sobre a Alemanha nazi.» Expresso

As Benevolentes é uma epopeia de um ser arrastado pelo seu próprio percurso e pela História. As Benevolentes são as memórias de Maximilien Aue, um ex-oficial nazi, alemão de origens francesas que participa em momentos sombrios da recente história mundial: a execução dos judeus, as batalhas na frente de Estalinegrado, a organização dos campos de concentração, até a derrocada final da Alemanha. Uma confissão sem arrependimento das desumanidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial, que provoca uma reflexão original e desafiadora das razões que levam o homem a cometer o mal.
Este romance vai buscar o título à mitologia grega – as Erínias, deusas perseguidoras, vingadoras e secretas, também conhecidas por Eumênides ou Benevolentes.


“Vida e morte são um rio, com nascente e foz. As margens, ao longo de todo o percurso, mais ou menos alimentadas de acontecimentos, obras, experiências. Mas não são elas o mais importante. Interessa, isso sim, a água que corre, o fio de um corpo que o aperto das margens pode levar à rotura ou deixar fluir livremente. No primeiro caso, o excesso de corrente provoca a sensação de que esse corpo não suporta o caudal. E decide, ele mesmo, suspender um dia a sua jornada, entrar no mar aberto e sem fim, para lá da via estreita em que o seu curso/corpo de água viveu.”


A noite desce sobre Viena e sobre o apartamento onde Franz Ritter, musicólogo fascinado pelo Oriente, procura em vão o sono. Oscilando entre sonhos e recordações, melancolia e febre, nesta noite de insónia Franz revisita a sua vida, os seus entusiasmos, encontros e as numerosas estadias longe da Áustria – Istambul, Alepo, Damasco, Palmira, Teerão… -, mas questiona também o seu amor impossível pela exemplar e inalcançável Sarah, especialista da atração fatal que esse Grande Levante exerce sobre aventureiros, académicos, artistas e viajantes ocidentais. Assim se dá a conhecer um mundo de exploradores das artes e da sua história, de orientalistas modernos animados pelo puro desejo de combinações e descobertas que a atualidade contemporânea vem esbofetear. E o eco trágico desse impulso febril quebrado ressoa na alma ferida das personagens da mesma forma que atravessa o livro. Romance noturno, envolvente e musical, de erudição generosa e humor agridoce, Bússola é uma viagem e uma declaração de deslumbramento, uma busca do outro em nós e uma mão que se estende – como uma ponte erguida entre o Ocidente e o Oriente, entre ontem e amanhã, alicerçada num inventário amoroso de séculos de fascínio, de influências e de vestígios sensíveis e persistentes, que tenta mitigar os fogos do presente.


 

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