«No princípio era…»
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\nDesde Martulah, no Gharb, até ao Museu Soares dos Reis nos dias de hoje, somos levados a fazer uma viagem alucinante às raízes de Joana.
\nNa imensa árvore genealógica da sua família cruzam-se árabes, judeus, cristãos-novos, reis, São Vicente (espelhado nos olhos de um corvo), combatentes e homens e mulheres trágicos. Com eles fazemos uma romagem à nossa ancestralidade, à génese da nossa
\nhistória, da nossa língua. A epigénese catártica começa com Joana a sair do torpor de um pesadelo demasiado real. Simultaneamente, nós iniciamos a nossa, ao revisitarmos os pontos da história no locus onde nos violentamos: a penumbra da nossa identidade.
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\nDE GENERE é uma obra que nos traz ora a sátira ora a soturnidade que compõem o tecido emocional e afectivo das famílias portuguesas do dealbar do século XXI, que trazem a marca indelével da Guerra Colonial e os seus fantasmas.
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\nRaul Pereira chegou à Terra no Primeiro de Dezembro de 1981, dando-se por natural da aldeia de Vila Franca (Viana do Castelo). É autor de vários artigos e publicações nas áreas da história da arte portuguesa, da etnografia e do património imaterial. Colabora regularmente com o fotógrafo Paulo Alegria, sendo de destacar o texto etnopoético de Romeiros (2010) e o livro Terra Água Vento (2020).
\nEscreve ainda poesia derrotista e niilista sob pseudónimo e foi um dos membros da cooperativa e editora Pé de Mosca.