Vi cabeças, inúmeras cabeças,
\ngenerais, amantes, andarilhos
\npor entre as estrelas. Cada cabeça a sua
\nhistória, escondida nas pregas
\n
\ndo cérebro, bordejando riachos
\nde sangue, juncos nas margens, paisagens
\nsecretas aonde ninguém podia chegar,
\na não ser uma graça solitária,
\n
\numa que tudo ouviria, pensamentos,
\ndesejos ocultos. A garça solitária
\nera eu, e sozinho na margem
\nia anotando o que via, o que ouvia
\n
\ncabeça a cabeça.