O instante exato em que, ainda longe da vista de todos, uma bailarina se decide a entrar no palco: é agora.
\nA possibilidade de andar para trás num vídeo, os gestos tornando-se sobre-humanos quando executados na sequência inversa.
\nAo cingir um nó, a tensão dos braços em direção contrária um ao outro, para fora, até serem puxados para o centro pela força do nó que se aperta.
\nO momento em que alguém que corre olha para baixo, para os seus pés, para as suas pernas, não as sentindo como suas.
\nA tensão na vara de uma funambulista; aparentemente inerte, mas em tensão forte e delicada, de uma ponta à outra, mantendo o equilíbrio do corpo que a segura.
\nOs saltos que o barco dá em resposta à passagem de uma onda por baixo da sua quilha. O ímpeto com que as pessoas que o barco transporta se elevam, e depois caem.
\nO impulso do nosso corpo quando o comboio trava: a inércia forçando o tronco a avançar um pouco mais, ainda que a máquina que nos envolve se estanque.