Rua de Fernandes Costa, 88
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11h00 — 19h00
Terça-feira a Sábado

Flâneur

Passagens com Manuel António Pina

31.00€

Já não é possível dizer mais nada

\nmas também não é possível ficar calado.

\nManuel António Pina

\n

\nDiremos, nos termos justos do Poeta, que o livro que temos nas mãos é e não é uma «foto-biografia.» Não foram os

\nfactos que nos moveram, mas os afectos e os encontros que as circunstâncias permitiram.

\nPassagens, portanto. Uma primeira reunião de passagens – haverá muitas outras – pelas fotografias, pelos livros,

\npelas entrevistas, pelos manuscritos e pelas memórias partilhadas, para recordarmos juntos Manuel António Pina.

\nO livro abre com uma breve selecção de retratos do Poeta, gentilmente cedidos pelos seus autores. Regressa

\ndepois ao caminho da infância e juventude pelas palavras que Manuel António Pina foi deixando ditas em

\nentrevistas, crónicas, escritos avulsos. Priorizámos, sempre que possível, a sua própria memória, as palavras que

\nescolheu a cada circunstância. A data de cada excerto remete sempre para a fonte textual. Sem «plano rigoroso»

\nagrupámos alguns fragmentos foto-biográficos da travessia: a família, o jornalismo, o teatro, as viagens, os livros,

\nos gatos e os encontros com alguns dos tantos, tantos amigos...

\nA secção dedicada à Obra – a verdadeira biografia de um escritor – foi disposta como um escaparate (assim o

\nobriga a forma breve de uma homenagem) dos títulos editados. A separação por «Poesia», «Literatura infantil»,

\n«Crónicas/Entrevistas» justifica-se apenas por uma questão formal, regida pelo propósito de os fazer acompanhar

\npelas palavras de três amigos de longa data, cuja opinião sobre a edição dos seus livros Manuel António Pina

\nnunca dispensava. A última secção foi reservada a uma mostra de desenhos, muitos deles encontrados no

\ncomputador do Poeta, que lhe foram sendo oferecidos, ou dedicados postumamente. Por eles fica também o

\nregisto do humor, do companheirismo, da generosa dedicação e, sobretudo, da amizade que Manuel António Pina

\ntanto prezava.

\nSe a pandemia, que suspendeu os primeiros passos deste livro, nos desviou do propósito inicial, não conseguiu

\nalterar, sequer diminuir, a nossa vontade de colaborarmos, mesmo à distância e fragmentariamente, na grande

\nrazão que nos uniu: manter Manuel António Pina entre nós.

\nFica esta primeira passagem, em forma de inacabamento, para que a conversa continue, infinita.