«[...] é tão tarde, é tão tarde,
os emigrantes não param de escalar a noite
trepam na noite até ao fim do mundo,
partem o leite como irmãos e partilham-no
um soluço dá a volta ao mundo,
e nós iremos, fragmentos de uma velha dança,
pela terra toda e mais longe,
portadores de um grande segredo de que se perdeu o sentido,
gritar na cara dos homens a nossa sede incurável...»
Canto à emigração, à errância, à fragilidade daquele que tem por casa o corpo, a roupa e a língua, Ulisses (o dantiano, o que não regressa a Ítaca) é publicado numa primeira versão em 1933.
Porém, em 1941, decide reescrevê-lo (a reescrita era, aliás, parte essencial do seu processo criativo), projecto que a morte prematura, aos 46 anos, deixa por concluir. «Os poetas são feitos para ser esquecidos», escreve num texto de juventude.
Ulisses
Benjamin Fondane
15.00€